No início do ano, muitas empresas fazem planeamento financeiro, definem objetivos comerciais e revêm contratos. No entanto, o software de gestão e as restantes soluções tecnológicas que suportam a operação diária continuam, muitas vezes, fora dessa análise.
Sistemas desatualizados, falhas de integração ou problemas de segurança informática raramente provocam impacto imediato, mas acumulam risco ao longo do tempo e tendem a surgir nos momentos menos oportunos.
Este artigo apresenta um check prático para avaliar se o software de gestão e as soluções tecnológicas da sua empresa estão ajustados às exigências operacionais de 2026.
Porque faz sentido rever o software de gestão
O software de gestão é o núcleo da operação em grande parte das empresas. É através dele que se emitem faturas, se gerem clientes e fornecedores, se controlam stocks, se acompanham resultados e se garante o acesso remoto à informação.
Estas soluções enquadram-se, na maioria dos casos, na categoria de software ERP. Em Portugal, são utilizados diferentes sistemas de gestão, como o PHC ou o Inoformat, consoante a dimensão, o setor e as necessidades específicas de cada empresa.
A revisão do software de gestão deve ser encarado como uma decisão de gestão, e não apenas como um tema técnico. Quando este sistema apresenta falhas, indisponibilidades ou limitações funcionais, o impacto reflete-se de forma imediata na atividade da empresa.
Por esse motivo, qualquer análise às soluções de informática deve começar por este sistema central, antes de avançar para outras áreas tecnológicas.
Prioridade 1: Segurança informática e proteção de dados
A segurança informática é hoje um dos principais pilares das soluções tecnológicas empresariais e do bom funcionamento do software de gestão.
No início do ano, importa confirmar:
- existência de backups automáticos;
- armazenamento dos backups fora do servidor principal;
- antivírus e firewall ativos e atualizados;
- acessos definidos por utilizador e função.
Não se trata de implementar soluções complexas, mas de garantir um nível mínimo de segurança informática adequado à dimensão e ao tipo de operação da empresa.
Prioridade 2: Infraestrutura informática adequada
Equipamentos obsoletos, redes instáveis ou acessos remotos mal configurados afetam diretamente a fiabilidade das soluções tecnológicas e do software de gestão.
Algumas questões a rever:
- os computadores continuam adequados ao software ERP utilizado;
- a rede interna é estável;
- o acesso remoto é seguro;
- a infraestrutura evoluiu em linha com o crescimento da empresa.
Infraestrutura e segurança informática estão diretamente relacionadas. Falhas numa acabam por comprometer a outra.
Prioridade 3: O software acompanha a realidade do negócio?
É comum encontrar empresas a utilizar o mesmo software ERP da mesma forma há vários anos.
Faz sentido avaliar anualmente:
- se o software ERP está atualizado e com suporte ativo;
- se responde às necessidades atuais da operação;
- se existem módulos ou funcionalidades que façam sentido ativar.
Soluções desajustadas não causam sempre problemas imediatos, mas limitam a capacidade de decisão e crescimento ao longo do tempo.
Prioridade 4: Integração entre sistemas
Processos manuais repetidos são, na maioria dos casos, um sinal de falta de integração entre soluções tecnológicas.
Atualmente, é possível integrar o software de gestão com:
- CRM;
- plataformas de eCommerce;
- processamento salarial;
- ferramentas colaborativas.
Maior integração reduz erros, melhora a eficiência e maximiza o valor da tecnologia para empresas.
Prioridade 5: Utilização efetiva das ferramentas existentes
Um dos problemas mais frequentes não está na tecnologia, mas na forma como é utilizada.
No início do ano, importa avaliar:
- se os utilizadores dominam as funcionalidades essenciais;
- se existem procedimentos definidos para tarefas críticas;
A formação contribui diretamente para o retorno do investimento feito em soluções tecnológicas e reduz riscos associados à segurança informática.
Prioridade 6: Plano de continuidade e resposta a falhas
Apesar da dependência crescente das soluções tecnológicas, poucas empresas testam cenários de falha.
Um plano de TI mínimo deve incluir:
- testes de reposição de backups;
- simulações de falhas técnicas;
- definição clara de responsáveis e tempos de resposta.
Este tipo de preparação reduz o impacto operacional e deve fazer parte de uma abordagem estruturada à consultoria de TI.
Entrar em 2026 sem rever o software de gestão e as restantes soluções tecnológicas da empresa aumenta significativamente o risco operacional ao longo do ano. Este tipo de análise não é um exercício técnico isolado. É uma decisão de gestão que envolve sistema de gestão empresarial, software ERP, segurança informática e plano de TI. Garantir que as soluções tecnológicas estão estáveis, seguras e ajustadas à operação é uma condição essencial para uma gestão consistente ao longo de 2026.